Deputado do Psol critica explicações do senador após operação da PF ligar petista a possíveis irregularidades no Banco Master
Em outro trecho de sua postagem, o congressista diz que o episódio tende a ser explorado politicamente por adversários do governo e da esquerda para desviar o foco da investigação completa.
“A extrema-direita fará muito barulho com esse caso pra que o dinheiro no armário do líder do PL, os seus governadores metidos nos desvios e os ‘pedidos’ de Flávio Bolsonaro ao seu amigão Vorcaro fiquem esquecidos. Que o senador responda por seus atos e relações. Quem enfrenta a extrema-direita corrupta sem rabo preso não tem motivo pra ficar na defensiva”, afirmou.

Jaques Wagner confirmou nesta 5ª feira (18.jun) que negociou com Augusto Lima o apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.
Em entrevista à BandNews, o senador disse que tinha interesse em comprar o apartamento para sua filha. O imóvel está em construção no bairro Horto Florestal, em Salvador (BA). No negócio, Wagner sugeriu a Lima uma dinâmica de compra e recompra.
“É um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar o apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima era um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois, eu vou recomprar. Porque o apartamento está em construção, não está pronto. Então, eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar”, disse o senador.
Segundo a PF, o imóvel fica no empreendimento Poème Horto, na Rua da Sapucaia. A unidade mencionada nos autos é o apartamento 1702, avaliado em R$ 2,5 milhões. O condomínio está sendo construído pela Moura Dubeux, com previsão de entrega para setembro de 2026.
Wagner negou qualquer transferência de patrimônio para si e declarou não manter negócios diretos com o Banco Master ou com o CredCesta, operação de cartão consignado voltada a servidores públicos que deu origem à atuação da instituição financeira na modalidade de crédito.
“Eu não tenho empresa não tenho nada. Eu tenho um apartamento que é o apartamento que eu moro e meu sítio lá em Andaraí. Esse é meu patrimônio e tá declarado no imposto de renda”, disse o líder.
LIMA NEGA IRREGULARIDADE
A defesa de Augusto Lima afirmou ao Noticias sem censura que as medidas “contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”. Também disse que Lima “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.
A manifestação é assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello.
Leia a íntegra da nota:
“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
“Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”
COMPLIANCE ZERO
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele entregou uma proposta de delação premiada, cuja análise por parte do ministro do Supremo deve levar semanas.
Eis as fases da operação:
- 1ª fase (18.nov.2025)
- – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro;
- 2ª fase (14.jan.2026)
- – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação;
- 3ª fase (4.mar.2026)
- – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação;
- 4ª fase (16.abr.2026)
- – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação;
- 5ª fase (7.mai.2026)
- – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 6ª fase (14.mai.2026)
- – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 7ª fase (19.mai.2026)
- – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação;
- 8ª fase (26.mai.2026)
- – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação.
- 9ª fase (18.jun.2026)
- – o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de medidas cautelares autorizadas por André Mendonça. O ministro proibiu o congressista de atuar com empresas ligadas ao caso Master e de falar com investigados, salvo exceções familiares.
Jaques Wagner nega relação com Master e diz que recebeu ligação de Lula: 'Mantém absoluta confiança'
Alvo de uma operação da Polícia Federal dentro das investigações do Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) negou nesta quinta-feira (18/6) ter recebido qualquer valor relacionado à instituição liquidada ou ter atuado para beneficiá-la.
Ele disse que mantém sua intenção de disputar um novo mandato de senador e continuará como líder no governo federal no Senado. As declarações foram dadas em entrevista ao canal de TV Band.
Segundo Wagner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para manifestar solidariedade e não falou sobre sua saída da posição de liderança.
"O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe o meu jeito de agir"
"Então, ele só ligou para dizer 'fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança'", reforçou, sobre a conversa com o presidente.
O senador disse ainda respeitar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou a operação a partir de pedido da Polícia Federal, mas ironizou o fato de não ter havido ação semelhante contra outros suspeitos de terem recebido valores do Master, sem citar nomes.
"O ministro André Mendonça decidiu dessa forma. Eu não tenho nenhum reparo a fazer à decisão dele. A Polícia Federal entendeu que era para fazer isso. Evidentemente, eu reconheço que tem gente com muito mais milhões recebidos que não tiveram essa busca e pressão. Mas eu não vou reparar. Decisão da Justiça a gente cumpre", disse.
As investigações em torno do Master já atingiram outros políticos. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é suspeito de ter favorecido o Master em troca de propina e já foi alvo de operação da PF.
Já o senador Flávio Bolsonaro negociou o repasse de dezenas de milhões de reais do banco para bancar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e chegou a se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro após sua primeira prisão, quando estava solto com monitoramento eletrônico. Ele diz que o valor foi um patrocínio legal e que não beneficiou o Master. Não houve operação contra ele até o momento.
O que diz o senador sobre as acusações e valores apreendidos?
Jaques Wagner disse não ter relação com Daniel Vorcaro, dono do Master que está preso. Ele afirmou que teve contato com ele em duas ocasições.
Na primeira, segundo o senador, o empresário baiano Augusto Lima, também alvo da operação contra Wagner, o apresentou a Vorcaro quando ele passou a ser sócio no Credcesta, um cartão de crédito com benefício consignado voltado para servidores públicos, aposentados e pensionistas, criado inicialmente na Bahia.
Ele pertencia ao governo baiano, junto com uma rede de supermercados estatal, e foi vendido a Lima em 2018. Depois, em 2019, o Banco Master passou a ser sócio no Credcesta e participou de sua expansão nacional.
"Eu estou muito à vontade em relação a essa questão porque, quando a gente vendeu, vendeu um absuro que era uma rede de supermercado estatal", disse.
Já na segunda ocasião em que teve contato com Vorcaro, Wagner disse que Lima pediu a ele uma indicação de um consultor jurídico para o Banco Master. O senador, então, indicou o ministro Ricardo Lewandowski, que tinha se aposentado no STF.
"Só [o encontrei] essas duas vezes. Não tenho nenhuma relação com Daniel Vorcaro".
O senador confirmou que os US$ 55 mil e os € 33,5 mil apreendidos pela PF na operação são seus, mas negou qualquer ilegalidade.
Segundo ele, os valores correspondem a diárias recebidas do Senado devido a viagens internacionais realizadas no exercício do seu mandato ou a valores que ele mesmo comprou no Banco do Brasil para viagens internacionais.
Wagner disse que costuma pagar as contas no exterior no cartão de crédito, em vez de gastar os valores em espécie recebidos pelas diárias.
"Esse dinheiro está guardado no cofre porque, [quando] eu vou viajar, nem sempre eu levo as diárias, às vezes eu gasto com o cartão e, portanto, o dinheiro está lá. Os envelopes, inclusive os que estavam no caso de Brasília, eram envelopes com timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólar".
O apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador
Wagner também foi questionado sobre um apartamento que teria sido comprado em Salvador para sua família por Lima e, segundo a PF, vale R$ 2,5 milhões.
Segundo o senador, o edifício ainda está em construção e ele pediu ao empresário que adquirisse o imóvel como um investimento e que seu objetivo era ajudar sua filha a comprá-lo quando estivesse pronto.
"Eu tinha interesse de dar um apartamento ou de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: 'você pode comprar, depois eu vou recomprar'".
"Porque o apartamento está em construção, não está pronto. Eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento ou ela financiar. Então não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim", disse ainda.

Entenda a operação contra Jaques Wagner
A nona fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal — que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master — atingiu Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, entre outros alvos.
"O senador Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais", afirma decisão assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que é relator do caso.
O senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio por medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master — como a chamada "Emenda Master".
Já Augusto Ferreira Lima é descrito como "gestor ligado ao Banco Master, principal interlocutor privado de Jaques Wagner e figura central na suposta entrega de vantagens econômicas indevidas ao parlamentar e a pessoas de seu entorno".
A PF disse que agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
"Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte", afirma a nota da polícia."
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro."
Foram autorizadas buscas em endereços ligados ao senador — mas não dentro de seu gabinete no Senado.
A Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil dólares e outros € 33,5 mil na operação desta quinta-feira. Uma fonte que acompanha as investigações afirmou à BBC News Brasil em caráter reservado que o dinheiro foi encontrado em dois endereços ligados a Jaques Wagner. Um no Distrito Federal e outro na Bahia.
As autoridades brasileiras investigam três eixos principais nessa fase da operação:
a possível "entrega de vantagens econômicas", com destaque para a compra de um apartamento em Salvador
a identificação de pagamentos e repasses a empresas "vinculadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner"
a verificação de "indícios de atuação parlamentar, por parte do Senador, em temas de interesse do Banco Master", especialmente "em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB".
A PF diz que Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima dados de um apartamento do empreendimento Poème Horto avaliado em R$ 2,45 milhões. A compra final teria sido feita por outra empresa "em dinâmica que a autoridade policial reputa compatível com ocultação do beneficiário final", segundo a decisão.
Essas tratativas teriam acontecido mesmo depois da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.
A PF afirma que a BN Financeira Ltda. — uma "empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner" — teria recebido R$ 3,5 milhões de uma "pessoa jurídica vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima".
As autoridades também dizem que houve "atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master".
Além disso, as autoridades afirmam que há outras questões "mais laterais" por parte de Wagner, como o "uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Ferreira Lima ou ao Banco Master"; e o "recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor".
A decisão cita ingressos à família do senador para shows de uma cantora que teriam acontecido em Los Angeles, em valor superior a R$ 63 mil.


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